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Estudo histopatológico de lesões ateroscleróticas em suínos de raça alentejana

Ano
2005
Resumo

O desenvolvimento de lesões ateroscleróticas tem vindo a ser associado a elevados teores de colesterolémia e LDLc. Estudos prévios identificaram variações nos teores destes parâmetros em suínos de raça alentejana. Assim, pretendeu-se com o presente trabalho verificar da existência de lesões ateroscleróticas em suínos de raça alentejana e efectuar a caracterização histopatológica dessas lesões ao nível da artéria coronária esquerda. Neste âmbito, procedeu-se à medição da espessura arterial e à caracterização histológica da área de lesão procurando-se estabelecer uma possível relação entre estas e os valores de alguns parâmetros sanguíneos associados ao processo aterosclerótico. Utilizaram-se 12 suínos de raça alentejana (6 machos e 6 fêmeas castrados), que no início do ensaio tinham cerca 5 meses de idade e 36,33 Kg de peso vivo, alimentados com dieta comercial formulada para esta raça (3107 Kcal ED/Kg e 150g de Proteína Bruta) e sem adição de colesterol. Os animais foram abatidos aos 11 meses com cerca de 100 ± 2 Kg de peso vivo. Foram colhidas amostras sanguíneas para determinação de triacilgliceróis, fosfolípidos, colesterol total, colesterol livre, LDLc e HDLc. Foram também recolhidas amostras de tecido arterial, ao nível da artéria coronária esquerda, para proceder à classificação e à caracterização das lesões ateroscleróticas. Os animais foram divididos em 2 grupos de 6 indivíduos cada de acordo com os valores de colesterol plasmáticos: grupo I (4,25mmol/L) e grupo II (2,53mmol/L). Os valores do ganho médio diário (GMD) dos dois grupos de suínos foram semelhantes. Os animais do grupo I apresentaram valores significativamente mais elevados (P=0,001) para os parâmetros plasmáticos analisados (triacilgliceróis, colesterol total, colesterol livre, colesterol esterificado, LDLc), excepto para as HDLc. Relativamente às lesões ateroscleróticas, não foram verificadas diferenças significativas em relação aos valores médios dos dois grupos, com excepção da área de lesão que foi significativamente superior (P<0,05), no grupo I. Das análises de regressão efectuadas entre as diferentes variáveis, verificou-se uma relação linear entre a área de lesão (fases iniciais do tipo I e II) e os teores plasmáticos de colesterol total (P=0,027), de LDLc (P=0,023) e de colesterol livre (P=0,004), o que sugere a influência destes parâmetros na dimensão da área de lesão. A relação entre a área de lesão e o colesterol esterificado, não apresentou significância. Também, se verificou que o teor plasmático de LDLc, não foi influenciado pelo GMD dos suínos. As lesões ateroscleróticas desenvolveram-se de forma espontânea, em animais sujeitos a uma dieta isenta de colesterol. No entanto, observou-se alguma variabilidade nos grupos o que poderá sugerir uma influência genética no desenvolvimento das lesões. São necessários estudos futuros, quer a nível histológico, quer a nível de biologia molecular, para um maior aprofundamento do conhecimento das lesões ateroscleróticas em suínos de raça alentejana.

Palavras Chave

Suínos alentejanos; Colesterol; Aterosclerose; Parâmetros plasmáticos; Histologia.

Tipo de Apresentação
Poster
Tipo de Revisão
Nacional
Âmbito Geográfico
Nacional
Situação
Publicado
Referência

Ramos, F.; Bento, O.; Lança, M.; Martins, J.; Capela, F.; Freitas, A. (2005). Estudo histopatológico de lesões ateroscleróticas em suínos de raça alentejana. Jornadas Científicas da Instituto de Ciências Agrárias Mediterrânicas, pp.137-138 Universidade de Évora / ICAM. Évora, Portugal.