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Ovulação múltipla e transferência embrionária em ovinos da raça Merina Preta

Ano
2004
Resumo

A implementação de programas de conservação e melhoramento genéticos implica obrigatoriamente a criação de um banco de material genético. Afim de aumentar o n.º de embriões disponíveis a transferência embrionária está geralmente associada à aplicação de Programas de Ovulação Múltipla (MOET: Multiple Ovulation and Embryo Transfer). O presente estudo integra-se no Programa de Conservação Genética da raça Merina Preta (MP), no âmbito do Projecto Agro DE&D n.º77. Os trabalhos decorreram no Centro de Estudos e Experimentação do Baixo Alentejo, Herdade da Abóbada. Com vista à criopreservação de embriões, realizou-se o tratamento superovulatório com FSH ovina (Ovagen ®) em ovelhas MP na época de Outono (n = 19) e na época de Primavera (n= 16). As ovelhas foram sincronizadas pela aplicação de esponjas vaginais de acetato de fluorogestona (45 mg) durante 12 dias. A administração de FSH iniciou-se ao dia 10, em 8 administrações (1,25 ml), intervaladas de 12 horas, e as esponjas foram retiradas no momento da 7ª injecção. As ovelhas foram inseminadas por laparoscopia com sémen fresco, 48 horas após a retirada das esponjas, sendo deixadas com o carneiro por mais 12 horas. Os embriões foram recolhidos por laparotomia ao dia 6 (dia 0 = estro). Foi avaliado o n.º total de embriões (ET) obtido por ovelha, a taxa de ovulação (TO = n.º de corpos lúteos por ovelha), a taxa de recuperação (%, TR = (n.º de embriões / n.º de corpos lúteos) * 100), o momento do aparecimento do cio relativamente à retirada das esponjas e o diâmetro ovárico, medido no eixo maior (cm). O tratamento estatístico foi efectuado através de análise de variância. Obteve-se uma média de 6.8 ± 5.3 embriões por ovelha não se verificando variações significativas entre as duas épocas consideradas. A TO obtida variou entre 2 e 29 corpos lúteos por ovelha, com uma valor médio de 11±7, sendo que 83 % das ovelhas responderam ao tratamento superovulatório (TO ≥4). Apesar da TO obtida ter de ter sido superior no Outono (12.4 ± 1.5 vs 9.2 ±1.6) esta variação não foi significativa. A TR foi significativamente diferente (P<0.05) nas duas épocas, 84 ± 7 vs 59 ± 6, respectivamente na Primavera e no Outono. Em relação ao momento do aparecimento do cio, verificou-se que este surgiu mais precocemente no Outono (34% das ovelhas em cio às 24 horas) comparativamente à Primavera (11.4% de ovelhas em cio às 24 horas). O diâmetro ovárico não foi influenciado pela época do ano mas variou de modo linear com a taxa de ovulação com um valor médio de 2.35±0.33. Apesar da grande variabilidade da resposta superovulatória, a utilização de FSH ovina permite a obtenção de taxas de ovulação elevadas em ovinos. Tendo-se verificado uma menor taxa de ovulação na época de Primavera, esta variação não foi significativa, tendo-se obtido um valor médio de 9.2 corpos lúteos por ovelha, numa época dita menos favorável à reprodução nesta espécie. Relativamente à TR, os melhores resultados obtidos na época de Primavera não implicam a existência de uma variação sazonal mas estão sim, provavelmente, associados a uma melhoria na técnica de recolha. Os resultados obtidos neste trabalho indicam que a utilização de tratamentos de superovulação permite a criopreservação de mais embriões por ovelha podendo ser utilizada em ambas as épocas reprodutivas, nesta raça e nesta condições de exploração.

Palavras Chave

Ovulação múltipla; Embrião; Merina Preta

Tipo de Apresentação
Comunicação oral
Tipo de Revisão
Nacional
Âmbito Geográfico
Nacional
Situação
Publicado
Área de Trabalho
Referência

Bettencourt, E.; Bettencourt, C.; Matos, C.; Romão, R.; Manito, C. (2004). Ovulação múltipla e transferência embrionária em ovinos da raça Merina Preta. IV Congresso Ibérico sobre Recursos Genéticos Animais, pp.45-46. Estação Zootécnica Nacional. Ponte de Lima, Portugal.