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Particularidades da congelação de sémen de varrasco

Ano
2004
Resumo

O sémen de varrasco caracteriza-se, entre outras particularidades, pelo seu elevado volume e por grande susceptibilidade ao “choque frio” e, consequentemente, aos processos de congelação/descongelação. Nas primeiras tentativas de criconservação, os resultados de avaliação in vitro e in vivo foram muito baixos. O grande desenvolvimento verificado nos diluidores e processos de conservação de doses seminais durante vários dias, a temperaturas entre os 15 e os 20ºC, levou a que o investimento, no desenvolvimento das técnicas de congelação de sémen suíno, não tenha sido considerado prioritário. Os progressos, entretanto realizados, encontram nos novos métodos de inseminação artificial (IA) pós-cervicais, que necessitam de menor número de espermatozóides (SPZ), um renovado interesse. A utilização de sémen suíno congelado, implica uma sequência de acções: colheita, avaliação do sémen, diluição do sémen, arrefecimento gradual deste, centrifugação de forma a eliminar o plasma seminal e escolha de rampas de arrefecimento até à temperatura de –196ºC. A constituição dos diluidores de arrefecimento e congelação tem sofrido evoluções ao longo do tempo. O primeiro diluidor é, geralmente, um diluidor normal de conservação de doses de IA refrigeradas e o segundo já tem na sua constituição a gema de ovo (para protecção dos espermatozóides durante o processo de arrefecimento e congelação) e um crioprotector que normalmente é o glicerol, cujas percentagens variam de acordo com os protocolos. O processo de congelação e, bem assim, os tipos de acondicionamento do sémen evoluíram nas últimas 3 décadas. Numa primeira fase começou-se a congelar o sémen sob a forma de pastilhas (pellets), pequenas gotas de sémen eram colocadas em orifícios feitos em placas gelo carbónico. Este método, embora correcto do ponto de vista da crioconservação, levantava problemas práticos de armazenamento, identificação e utilização, pelo que, foi sendo substituído. A maior parte do sémen congelado actualmente é acondicionado em palhinhas de dimensões variáveis (desde macrotubos de 5ml a palhinhas de 0,25ml). A primeira fase de congelação consegue- se pela utilização de vapores de azoto líquido (por aproximação superficial ou através de aparelhos de congelação programáveis). Os diversos tipos de acondicionamento apresentam vantagens e desvantagens que são objecto de muitas investigações com resultados por vezes controversos. Recentemente o acondicionamento do sémen em pequenos sacos plásticos (Flatpack) parece conduzir a melhores resultados quer in vitro quer in vivo. Todavia, o Flatpack apresenta algumas dificuldades no armazenamento em contentores de azoto líquido standard. A crioconservação de gâmetas masculinos de raças suínas autóctones, de efectivos limitados e geograficamente muito dispersos, expostas a riscos nosológicos acrescidos que poderão levar ao seu desaparecimento, reveste-se da maior importância pelo seu papel na conservação extra situ do património genético e, pelas possibilidades que abre de melhoramento genético. Na última década, na Universidade de Évora têm-se vindo a realizar estudos que englobam o treino e obtenção de sémen de varrascos de raça alentejana, a sua avaliação laboratorial e a sua congelabilidade. Alguns resultados dessas investigações são apresentados e discutidos neste trabalho.

Palavras Chave

Raça Alentejana; Sémen; Congelação.

Tipo de Apresentação
Comunicação oral
Tipo de Revisão
Nacional
Âmbito Geográfico
Nacional
Situação
Publicado
Área de Trabalho
Referência

Charneca, R.; Nunes, J. (2004). Particularidades da congelação de sémen de varrasco. XIV Congresso de Zootecnia, pp.49. Universidade dos Açores / APEZ. Angra do Heroísmo, Portugal.